Piratas da República Tcheca formam coalização por governo

Coalização dos Piratas+Stan e Spolu retira do poder o conservador Andrej Babis, envolvido no Pandora Papers e conhecido como “Trump Tcheco”.

Após dois dias de votações, a República Tcheca já conhece sua nova coalização de governo. Denominada pela mídia como “Coalização Anti-Babis”, os grupos políticos entraram em acordo tendo como principal semelhança a demoção do atual primeiro ministro, o bilionário Andrej Babis.

Nesse sentindo, a candidatura em coligação com STAN (abreviação de Starostové a nezávislí, ou “prefeitos e independentes” em tradução livre) foi liderada pelo pirata Ivan Bartoš e obteve 37 assentos na Câmara dos Deputados.

Marcada por fakenews e ataques de desinformação, a chapa que chegou a marcar 25% das intenções de votos nas pesquisas finalizou a apuração com 15,62% dos votos. Apesar de ficar abaixo do esperado, os 37 assentos alcançados colocou a coligação na posição de “kingmaker” pois de acordo com o sistema eleitoral tcheco, o primeiro ministro é indicado pela coalizão que alcançar um mínimo de 101 (dos 200) assentos.

O ANO – partido do atual primeiro ministro, Andrej Babis – concorreu sem coligações e obteve 27,12% dos votos e 72 assentos, enquanto o Spolu atingiu 27,79% dos votos e 71 assentos. Com estes resultados, a coalização a formar o governo precisaria entrar em acordo com os Piratas+STAN.

Não foi preciso esperar longos dias e negociações para obter-se o acordo. Poucos minutos após a apuração, o acordo entre Spolu e Piratas+STAN foi anunciado. O perfil conservador que lhe concedeu o apelido de “Trump Tcheco” e os casos de corrupção envolvendo o líder Andrej Babis – que também foi envolvido na recente divulgação Pandora Papers – tornaram a união inevitável.

Pandora Papers

Divulgado pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ), que no Brasil é representado pela revista Piauí, a Agência Pública e os portais Metrópoles e Poder 360, uma série de reportagens denominada “Pandora Papers” apresenta documentos comprovando a utilização de empresas off-shore em paraísos fiscais por líderes mundiais, grandes empresários e artistas.

Importante ressaltar que no Brasil a simples existência ou utilização de empresas offshore não confere crime, pois podem ser utilizadas para investimentos, compras de bens entre outros, mas devem ser declaradas à Receita Federal. Porém, especialistas em finanças alertam que esse tipo de empresa também é usada para ocultar recursos de origem ilícita como tráfico de drogas e corrupção, ou simplesmente evitar a cobrança de impostos nos países onde os seus beneficiários efetivamente atuam.

Segundo as reportagens, o Brasil é o quinto país com o maior número de pessoas citadas no Pandora Papers. Dentre elas estão o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Fato que fere o Código de Conduta da Alta Administração Federal, pois funcionários públicos do alto escalão não podem manter investimentos no Brasil ou no exterior que possam ser afetados por decisões que eles venham a tomar em seus cargos. A proibição é para evitar conflitos de interesse.
Andrej Babis é o sexto homem mais rico da República Tcheca e foi um dos 35 políticos implicados no Pandora Papers.


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