Represália dos leitores da Desciclopédia ao Facebook

Foi graças à arquitetura do próprio Facebook que, na noite da última quinta-feira, 25, os brasileiros encontraram mensagens bizarras no link que limpa todas as notificações recebidas. Em lugar de “Marcar todas como lidas”, apareciam coisas como “Na União Soviética, a Desciclopédia derruba o Facebook”, “SAI FEMINAZI VOLTA DP” e outras.

AUDOA

A confusão aconteceu como represália dos leitores da Desciclopédia ao Facebook porque a página do site que satiriza a Wikipédia foi tirada do ar. Segundo o site Manual do Usuário, o que aconteceu foi um movimento em massa, orquestrado por membros da Desciclopédia para manipular a ferramenta de tradução automática da interface do Facebook. As páginas da Desciclopédia muitas vezes veiculam quantidades absurdas de conteúdo agressivo sobre minorias e movimentos sociais sob a justificativa de ser apenas “humor”.

“O motivo pelo qual isso for organizado foi a queda da nossa segunda fanpage de quase 30 mil membros. Ai entrei no nosso grupo dizendo que não daria continuidade ao projeto, pois o facebug se tornou uma rede social politicamente correta, impossível de satirizar ou debochar do cotidiano do dia dia. Quando me dei conta, o grupo tinha armado uma forma de protesto contra a queda e então a magia aconteceu. perdemos nossa página, mas ganhamos a atenção de muita gente, até de quem nos odeia. rsrs”, disse Fábio Araújo Rothman, administrador da Desciclopédia.

O Facebook incentiva seus usuários a melhorar a tradução do site, assim como fazem o Twitter e outros serviços da web. Basta acessar o aplicativo de tradução do site e, em poucos passos, qualquer um se torna colaborador. O que aconteceu neste caso é que os internautas agiram focados em um único pedaço de texto, votando em massa nas mensagens apontadas por eles até que elas substituíssem a que traduz corretamente o “Marcar todas como lidas”.

 

 


Kommentare

One comment for Represália dos leitores da Desciclopédia ao Facebook

  1. Leon commented at

    Desciclopédia não passa de um panfleto machista, racista e o caralho a quatro. Seus “contribuidores” nem tentam mais fazer piadas, escrevem realmente ataques diretos, principalmente às mulheres, o tempo todo chamando-as de depósito ou coisas piores. Para completar são totalmente hipócritas criticando o facebook por censura, se em seu próprio site qualquer crítica mínima à violência praticada é censurada, até mesmo no histórico! Seu conceito de liberdade de expressão é bem seletivo, a começar que escolhem covardemente como alvos de “humor” grupos que já têm pouca voz na sociedade, se não exclusivamente, de maneira bastante focada com certeza. O formato de wiki é só fachada. A imagem usada é bem apropriada, Desciclopédia é o lixo do lixo do hue br, um 4chan sem criatividade nem graça com somente as partes escrotas.

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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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