Personagem de Asterix e Obelix é inspirado em Julian Assange

Deu no El País
O 36º volume das aventuras de Asterix e Obelix ganhou o título O Papiro de César, ressuscitou o pior inimigo da aldeia gaulesa dos protagonistas e chegou às livrarias nesta quinta-feira. Desde esta semana se conhece algo a mais sobre sua misteriosa trama, guardada até então como o maior dos segredos. Os responsáveis pela saga anunciaram que foi adaptada aos tempos atuais: um de seus personagens é inspirado em Julian Assange e a história inclui referências às redes sociais, que terão um equivalente nos tempos do Império Romano.

A história é inspirada livremente nos sete volumes que formam os Comentários sobre a Guerra Gálica, escritos por Julio César, que relatam as batalhas durante os nove anos que passou combatendo os exércitos que se opunham à dominação romana do atual território francês. Mas, em seus escritos, César pode ter exagerado ligeiramente suas proezas bélicas. Talvez seja nesse ponto que entre em jogo o novo personagem, Doblepolemix, um jornalista de um jornal gaulês que busca fazer aparecer a verdade. “Julian Assange nos serviu de modelo para o personagem”, explicou a nova dupla de criação, formada por Jean-Yves Ferri como escritor e Didier Conrad como desenhista, acrescentando que cogitaram chamar o personagem de Wikilix, antes de mudarem de opinião.

Junto a César, os leitores da saga encontrarão outro personagem novo, um conselheiro às escondidas inspirado pelo publicitário Jacques Séguela, o homem que apresentou Nicolas Sarkozy a Carla Bruni, e outras figuras que rodearam o ex-presidente francês, como Henri Guaino e Patrick Buisson. “Não queremos dizer muito para não destruir o prazer. Asterix pertence a seus leitores”, afirmou o desenhista Albert Uderzo, criador da saga junto ao falecido escritor René Goscinny, em entrevista coletiva realizada no primeiro andar da Torre Eiffel.

Uderzo, de 88 anos, estava acompanhado de Anne Goscinny, filha de René, além dos novos responsáveis pela história, Ferri e Conrad. Ambos foram contratados em 2011 após a venda da editora de Uderzo ao grupo Hachette. O Papiro de César é seu segundo volume como coautores, depois de Asterix entre os Pictos, publicado em 2013, que vendeu 5 milhões de exemplares ao redor do mundo. Uderzo disse ter ficado “admirado” com o trabalho dos novos criadores, que não considerou uma tarefa especialmente fácil. “É difícil renovar a saga, porque o leitor não é fácil. Lembro quando decidi queimar a aldeia e celebrar o banquete final junto com a Cleópatra. Os leitores me reprovaram bastante. ‘O que você pensou?'”, me disseram. “Tem que se usar os mesmos elementos de sempre, mas fazendo pequenas variações”, disse Uderzo. “No volume anterior, quase recebemos ameaças de morte por deixar alguns personagens de fora”, disse Conrad, sorrindo.

Os responsáveis pelas aventuras de Asterix e Obelix revelaram os primeiros detalhes da nova HQ no primeiro piso da Torre Eiffel. O desenhista original Uderzo teve a companhia de Anne Goscinny, filha de René, e levou seu conhecimento enciclopédico sobre a história dos personagens. Espera-se que o novo volume tenha o mesmo sucesso de vendas do anterior. O livro será publicado em 16 países de todo o mundo, inclusive o Brasil, e será traduzido para 20 idiomas.


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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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