Nós somos Bradley

Image: 2012 Getty Images

 

Hoje, 21 de agosto de 2013, uma juíza militar dos Estados Unidos, Denise Lind, leu a sentença de Bradley Manning a 35 anos de prisão, mais dispensa desonrosa das forças armadas. A condenação se deu por ter vazado 700 mil documentos do exército norte-americano ao site jornalístico Wikileaks.

Além das condições controversas de sua prisão, desobedecidos diversos preceitos de direitos humanos, os sucessivos governos estadunidenses vão deixando cada vez mais claro seu descomprometimento com tais direitos e os princípios fundadores da própria nação. Ao vazar os documentos, Manning, assim como Edward Snowden – que continua sendo caçado – seguem, palavra por palavra, um adágio da desobediência civil, de um dos chamados Pais Fundadores daquele país, Thomas Jefferson:

“Se uma lei é injusta, um homem não está apenas certo em desobedecê-la, ele é obrigado a fazê-lo.”

A condenação de Bradley Manning se dá durante o governo de um Prêmio Nobel da Paz, Barack Obama, laureado antes mesmo de iniciar um projeto concreto de paz. Contudo, é claro seu projeto e é evidente o lado em que está a “desonra” e a infâmia nessa história. Interesses de 1% da população se sobrepõem aos dos outros 99% para continuar com seu cassino macabro de financismo e venda de armas. Pessoas comuns do mundo inteiro, que financiam esses governos e produzem de fato, têm violados seus bens mais preciosos: desde a sua privacidade, especialmente em países com maior acesso à comunicação, até seus corpos, em guerras infinitas, tudo isso alimentado pela busca indiscriminada do lucro. Este modelo já antigo de paz continua sendo advogado por Obama, que criminaliza um projeto alternativo de paz, motivador de homens como Manning e Snowden.

O Estado brasileiro, em vez do repúdio enérgico a esse tipo de postura, toma uma posição parcimoniosa, maquiando seu próprio programa de vigilância. A cada dia, estamos mais transparentes aos governos, enquanto a tomada de decisão se torna privativa de uns poucos, do poder financeiro ao político, decidindo quem vive e quem morre (Quem matou Ricardo?), quem fica e quem desaparece (Cadê o Amarildo?), o que devemos saber ou não.

A transparência deve ser do Estado e das corporações e a privacidade do cidadão. Uma imprensa democratizada expõe transparentemente seus posicionamentos e motivações, permitindo assim um debate franco entre os diversos pontos de vista sobre as posições tomadas pelos atores envolvidos. Há espaço para todos se manifestarem , grupos e indivíduos.

Um debate necessário e incipiente é o papel da Polícia Militar, cuja hierarquia e funcionamento são ranços da última ditadura no País, e se sua estrutura não serve apenas de segurança particular para determinados grupos de poder, inclusive dentro da própria instituição. CIVILizar a polícia é um primeiro choque necessário não só à corporação, mas aos que se beneficiam de alimentar seu estado de beligerância constante, para que essas relações sejam reconstruídas tendo os direitos humanos em seus alicerces.

Outros assuntos tratados com displicência pelo segmento mais concentrado da imprensa estão relacionados com direitos civis e direitos humanos: casamento igualitário, estado laico, legalização de drogas, hostilidade física e psicológica contra grupos não hegêmonicos (mulheres, LGBTT, indígenas, negros, PCDs), erroneamente chamados de minorias. Pois agregados somos a maioria, desempoderados do processo político, do processo de decisão de nosso destino individual e coletivo. E inspirados por Manning, temos uma obrigação.

“Nós não esquecemos, nunca.”

Partido Pirata do Brasil

 

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