Economia do Compartilhamento – um movimento social que morre para se tornar movimento econômico

Algo morreu. Eu carrego um certo sentimento de perda do qual não consigo me desfazer. A Economia do Compartilhamento se tornou um ícone e um emblema para um modelo de negócios ao invés de um movimento. A expressão assumiu um significado que deixou todos questionando o real altruísmo da tecnologia que permite o compartilhamento, especialmente quando é efetuada troca de dinheiro.

Originalmente, eu lati para os críticos – revoltado que muitos não compreenderam a direção e as bases necessárias para tornar compartilhamento sustentável.

O que eu me recusei a levar em conta é que a fundação da Economia do Compartilhamento é apoiada pelos mais ricos, que buscam se tornar ainda mais ricos, criando portanto uma divisão econômica ainda maior. Alguém pode argumentar que startups geram novas receitas, assim como retornos para os investidores, mas isso é apenas uma parte do todo. Como muitos tecnocratas, Paul Graham é claro em sua crença que desigualdade econômica é central para a motivação dos empreendedores e crescimento de novas empresas. Isso é fundamentalmente falso – inovação seria algo ainda mais tentador para empreendedores se a maioria estivesse prosperando. Afinal, uma classe média saudável é bom para os negócios.

Em seu discurso inaugural, o Presidente Obama nunca falou palavras mais verdadeiras, “A nação não pode prosperar muito tempo quando ela favorece apenas os mais prósperos”

Todos nós precisamos perceber isso – incluindo os economicamente favorecidos.

Deixe-me ser claro: ser rico não é algo errado. Dinheiro não é ruim. Trabalho duro deve compensar. E nós podemos fazer melhor do que isso.

Nós estamos realmente orgulhosos que o Uber não possui nenhum carro, não emprega nenhum motorista e vale USD 100 bilhões? Ou que o Airbnb de USD 25 bilhões, sem ser proprietária de um único imóvel? Só é preciso um pequeno passo para trás para perceber que essas empresas estão absorvendo o valor de ativos e do tempo que outras pessoas estão trocando entre si!

Plataformas de referência como Airbnb e Uber são fortemente apoiadas por empresas de capital de risco, entidades que maximizam lucros. O rico fica ainda mais rico apoiado nas costas dos menos favorecidos que estão usando tudo pelo que eles trabalharam duro na forma de suas posses e tempo, tais como suas casas, carros e habilidades técnicas.

A tecnologia dessas plataformas não é cara de construir. Enquanto isso, essas empresas tem avaliações de valor exorbitantes (excedendo até mesmo a trajetoria de crescimento do Facebook) porque elas estão absorvendo valor das pessoas que estão efetivamente criando e provendo esse valor.

E não vamos deixar o Facebook fora dessa equação. O valor do Facebook é baseado no conteúdo, redes e dados pessoais de indivíduos inseridos na plataforma. Os indivíduos não possuem sua própria rede social ou seus dados – o Facebook é quem os tem.

E enquanto isso possa parecer insignificante, talvez Jaron Lanier, autor de “A quem pertence o futuro” (“Who Owns the Future”) nós fornece bases pra pensar sobre isso, “Nossos dados pessoais não são diferentes do trabalho – você não perde ao dá-los, mas se você não recebe nada de volta, você não está recebendo o que você merece. Informação, ele aponta, é inerentemente valiosa. Quando bilhões de pessoas concedem informações para apenas algumas empresas, o efeito é uma riqueza gigantesca transferida de muitos para poucos”.

Existe uma forma de distribuir mais igualmente riqueza e transferir valor. Nós podemos facilmente desenvolver tecnologia para contabilizar, delegar e distribuir o valor que é criado. A distribuição de valor está vindo – é apenas uma questão de tempo. O que isso tem a ver com a Economia do Compartilhamento? Tudo.

Vamos dar um passo pra trás e olhar por onde a Economia do Compartilhamento esteve, assim como onde o movimento talvez dê uma guinada em direção ao verdadeiro compartilhamento.

 

As fases do da Economia do Compartilhamento:

Conexão > P2P + VC > Turnê > Sob-Demanda > Autônomo

Compartilhamento de valor pode se desenvolver em negócios? Vamos dar uma olhada no passado recente e o futuro iminente, juntamente com as fases da Economia do Compartilhamento para ver onde as coisas estão assim como pra onde elas devem ir em seguida.

 

Conexão Humana, comunidade e definição de estilo de vida

O nascimento da Economia do Compartilhamento representou confiar em estranhos de novo – uma nova forma de interagir e transacionar, através de diferentes formas de valor e troca abrindo nossos corações, fronteiras, posses e atitudes para fazer mais dinheiro, pagar uma hipoteca, comprar um carro melhor, ter mais tempo para a arte, encontrar novos amigos ou entrar em férias. Tudo isso apontou para um contexto mais profundo – nós temos o suficiente – nós podemos compartilhar!

 

A economia de ponto a ponto cresce por meio do capital de risco

Uma vez que empreendedores e investidores perceberam o forte potencial da Economia do Compartilhamento, capital começou a escoar nos mercados para tudo, incluindo exemplos obscuros como banheiros de ponto a ponto. Nesse ponto, a Economia do Compartilhamento atravessou o abismo e se tornou um termo padrão. Durante esse tempo, muitas plataformas que proveram valor social sem modelos de venda óbvios deixaram de existir, incluindo Neighborgoods, Grubwithus, and Loosecubes. Enquanto isso, Couchsurfing deixou de ser algo não lucrativo para se tornar uma empresa apoiada por capital de risco.

 

A Economia de turnê em força total

Com os cortes de custos relacionada a 1099 contratantes independentes – a economia de turnê se tornou um modelo de eficiência para tempo e recursos subutilizados – uma maneira de gerar crescimento econômico com pouco capital, investimento ou despesas gerais. A Economia do Compartilhamento se tornou uma maneira barata de empregar trabalhadores pouco qualificados em tempo integral, enquanto evita leis tradicionais de emprego, se apoiando sobre a massa de desempregados. Mercados para limpeza, entregas de todo gênero e todo o tipo de serviço inimaginável apareceram. E todos eles estão anunciando a revolucionária “Economia do Compartilhamento” como um apelido.

 

Tudo sob demanda devora a Economia do Compartilhamento

Isso é onde nós estamos hoje

Compartilhamento de carona está se alastrando como fogo em cidades do mundo todo. O Uber continua a brincar com a imprensa. De forma sutil ou por força bruta, a Economia do Compartilhamento se tornou comprimido na ideia “sob demanda” de que nós deveríamos ser capazes de requisitar seja lá o que nós quisermos ou precisarmos, exatamente quando nós precisamos disso.

Com bons motivos, a imprensa incessantemente ataca a Economia do Compartilhamento. Existe o infame “Caso contra o compartilhamento” que explora as maneiras com que o movimento contradiz a si mesmo. E então existe a questão sobre o que é a Economia do Compartilhamento? Amazon, Netflix e GrubHub são realmente parte da

Economia do Compartilhamento? Hoje em dia, todo tipo de mercado online está clamando esse título, diluindo ainda mais o seu significado. “A única coisa que essas empresas têm em comum é que elas todas agem como mercados, apesar de que eles diferem amplamente na quantidade de controle que dão aos seus compradores e vendedores” resume o colunista de tecnologia WSJ, Christopher Mims.

 

Sob demanda se torna autonômo

Isso é o que vem em seguida.

Conexões de ponto a ponto irão se tornar menos importantes. Nós temos drones, veículos auto-dirigíveis e a IoT (Internet of Things, a Internet das Coisas) governando a economia – basicamente, o mundo dos robôs. Pessoas irão perder seus empregos a menos que elas já estejam habilitadas e educadas ou possam facilmente se adaptar às marés de rápida mudança. Essa é a era quando nós iremos seriamente contemplar reformas como a renda mínima universal já que há uma necessidade cada vez mais decrescente por trabalho manual.

 

O que vem em seguida?

Negócios passam por um ciclo previsível: idealismo, adoção e integração – e então se repete. A Economia do Compartilhamento não é diferente. Nós simplesmente não integramos compartilhamento ainda.

Enquanto a Economia do Compartilhamento parece ter perdido muito do seu significado original, nós agora temos um movimento social que opera por força total, quebrando construtos sociais de propriedade e troca. Hoje em dia, pessoas estão pensando mais sobre o valor que eles já tem – vagarosamente criando uma consciência em relação à abundância.

Nossas mentes estão começando a mapear as possibilidades de uma economia que compartilha a responsabilidade e o valor com seus participantes. E isso é ótimo!

O Investidor de risco Fred Wilson recentemente escreveu, “À medida que mais e mais negócios impulsionam o poder das redes de criar valor econômico, há uma questão de se os participantes da rede deveriam compartilhar o valor que eles ajudam a criar“.

As lições da Economia do Compartilhamento não estão perdidas, mas elas precisam renascer dentro do grupo dos negócios – nós precisamos ver que nós temos o suficiente para compartilhar incentivos, dar a voz a muitos ao invés de poucos e trabalhar em direção a empregos sustentáveis que possam fortalecer a todos nós. Com tecnologia autônoma no horizonte, nós precisamos criar estruturas para compartilhar valor que sejam inclusivos para todos, mas nós precisamos começar agora. Nós devemos considerar cuidadosamente como a propriedade de máquinas irá impactar todos no futuro e construir modelos que irão em última instância compartilhar riqueza.

 

Como nós podemos integrar compartilhamento?

Existem muitas maneiras de estruturar ou reestruturar organizações para distribuir valor, incluindo o modelo cooperativo – para os quais existem as abordagens de multiacionistas, permitindo investimento externo. Também existem ESOPs (employee-stock-ownership-plans – planos de ações sob propriedade de empregados) que podem distribuir valor entre os empregados que criam valor e com esse modelo, diferente de uma cooperativa, os negócios podem até mesmo eventualmente ser vendidos. Em contraste com o ESOP, no entanto, os empregados, participante ou membros de uma cooperativa podem efetivamente compartilhar propriedade e ajudar a operar negócios.

 

Cooperativismo de Plataforma

Uma cooperativa é uma entidade legal, originada em 1844, gerando emprego em tempo parcial ou integral para 250 milhões de pessoas no mundo todo. Hoje, podemos vincular o modelo de cooperativa com o ambiente digital, permitindo a criação de plataformas escaláveis que compartilham valor entre os criadores de valor, conhecido como Cooperativismo de Plataforma. Enquanto capital de risco é frequentemente necessário para estabelecer um modelo de negócios prolífico, uma multidão pode agir como um motor de trocas e negócios se forem dados os incentivos para agir assim. O modelo cooperativo de negócios não é novo, mas tem implicações sem fim quando aplicados para plataformas globais. Há um número de empresas recentemente criadas optando por um modelo de Cooperativa de Plataforma, incluindo Stocksy (um mercado de fotos em arquivo), Fairmondo (um ebay mais conscientizado localizado na Alemanha), Lozooz (uma versão blockchain do uber) e o Loomio (uma ferramenta para decisões em grupo).

 

O Blockchain

A moeda digital descentralizada Bitcoin foi construída sobre o que é conhecido como blockchain, uma tecnologia usada para criar transações seguras, que grava essas trocas. Enquanto muito da Economia do Compartilhamento é atualmente considerada de ponto a ponto, um verdadeiro sistema P2P deveria permitir que transações acontecessem sem a necessidade de uma plataforma intermediária – e o blockchain pode fazer isso. O blockchain pode operar contratos espertos autorreforçados (veja Ethereum) e permitir que plataformas possam distribuir trabalho e além disso governar organizações. Confiança e privacidade são componentes inerentes do sistema. Com o blockchain, estranhos podem fazer transações mais facilmente sem a necessidade de advogados, contadores e banqueiros.

 

Tecnologia de financiamento

Crowdfunding deixou de ser uma modinha para se tornar uma indústria explosiva, com um valor de USD 34 bilhões distribuidos para indivíduos, projetos e ideias que talvez não tivessem espaço em 2015, tornando crowdfunding um rival importante do capital de risco. Hoje em dia, existe financiamento para tudo – incluindo igualdade, filantropia, investimento, compra e até mesmo atividades financeiras. Nós não percebemos completamente o poder que nossas transações individuais tem ainda. Se nós compreendermos como nosso poder de compra individual como um coletivo pode direcionar e impactar positivamente vidas, indústrias e, consequentemente, estilos de vida – tomaríamos decisões diferentes (com todos os outros fatores de competição sendo iguais). Com financiamento coletivo dobrando ou mais a cada ano, nós estamos chegando lá. Quando você combina plataformas de distribuição de valor com o público (que, aliás, é quem tem mais a ganhar por se envolver), há um potencial para todos ganharem.

O blockchain e a tecnologia de crowdfunding são somente tão eficientes quanto permite a ética e a governança operando por trás das cortinas. Como Nathan Schneider, um jornalista político e grande proponente do cooperativismo de plataforma aponta,

“O blockchain e o crowdfunding serão bons para compartilhamento somente se nós levarmos a sério a incorporação de princípios dos commons e da democracia na maneira de usá-los.

Esse é um dos motivos que o modelo cooperativo de negócios é tão tentador; existem 7 princípios orientadores que são muito específicos, configurando os ideais operacionais do negócio como uma fundação.
O futuro de compartilhar

No futuro, negócios considerarão a contribuição dos seus criadores de valor além da típica lógica de precisar de “embaixadores” para propósitos de marketing. Se não por outro motivo, compartilhar é e irá continuar como uma vantagem competitiva.

Organizações já existentes irão descobrir maneiras criativas de competir com valores novos ou emergentes do compartilhamento alternativo, que irão empoderar as pessoas a fazer mais com menos ao compartilhar os aspectos positivos. Se você acha que isso é algo inalcançável, o Reddit foi públicado com seu plano de compartilhar a receita da plataforma com seus colaboradores durante a última rodada de financiamento. Quem será o próximo?

Uma vez que o compartilhamento seja desenvolvido em nossos modelos financeiros, estruturas legais e na própria espinha dorsal de nossa economia – a cooperação irá se tornar uma conclusão óbvia, compartilhar não será mais uma tendência, mas um axioma para a sobrevivência.

Os sistemas que criam a linguagem de nossas interações pode ser reescrito e eu pretendo me envolver totalmente em fazer isso acontecer.

Continuemos compartilhando.

artigo original aqui.


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3 comments for Economia do Compartilhamento – um movimento social que morre para se tornar movimento econômico

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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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