Criador do MP3 diz que indústria deve se ‘reinventar’

Em entrevista, o alemão Karlheinz Brandenburg diz que tentou conversar com a indústria da música na época, mas foi ignorado

Por Agências

FOTO: Divulgação/Jan Greune

VALÊNCIA – O engenheiro alemão Karlheinz Brandenburg, criador do MP3, o formato de compressão digital que modificou o modo de consumir música, disse nesta terça-feira que não se sente responsável pela pirataria no setor e afirmou que as pessoas “continuam a amar e a comprar música, mas de forma diferente”.

Em entrevista coletiva logo antes de receber o título de doutor honoris causa pela Universidade Politécnica de Valência, Brandenburg garantiu que a aparição do MP3 foi “outra revolução” para a indústria musical, como o rádio foi em seu tempo.

Para ele esta indústria “deve se adaptar as mudanças irremediáveis e se reinventar, e destacou que entre a aparição deste formato de compressão digital, entre 1995 e 1997, até o surgimento dos primeiros servidores legais de download de música, como o iTunes da Apple, se passaram cinco anos.

Neste sentido, não se sente responsável pela pirataria no setor e defendeu que tanto os músicos como as atividades relacionadas ao mercado devem cobrar pelo trabalho que realizam.

O engenheiro também explicou que na época tentaram conversar com a indústria musical sobre os avanços da pesquisa, mas ela “não estava interessada”.

Brandenburg admitiu que não esperava o alcance que o MP3 alcançou. Quando desenvolveram este formato, pensavam em aplicativos para ouvir rádio ou televisão (o que hoje se popularizou como streaming), mas não imaginavam o uso do MP3 como biblioteca ou podcast que permite levar “meses, até anos de música” em um único dispositivo de áudio.

“Todo pesquisador sonha em desenvolver um projeto que tenha este alcance”, confessou o engenheiro alemão, antes de contar que a ideia que tinham a princípio era chegar a um milhão de pessoas, mas erraram o cálculo em “alguns bilhões”, brincou.

Sobre o futuro da tecnologia das telecomunicações, uma de suas preferidas é a “imersão”, em que áudio e vídeo são combinados para transportar o usuário a outro lugar.

Mas ele acrescentou que “nunca se sabe”, já que há muitos pesquisadores inventando novas tecnologias e aplicativos, o que torna complicado saber qual será “o próximo ‘boom’” no setor.

Karlheinz Brandenburg também se mostrou contrário aos cortes de recursos em pesquisa e lembrou que, quando na Alemanha as empresas privadas começaram a reduzir os orçamentos em pesquisa pela crise, o governo fez o oposto e aumentou as verbas.

O diretor da Escola Técnica Superior de Engenheiros de Telecomunicação, que foi padrinho na posse, disse que Brandenburg é uma pessoa “que investiga, faz contribuições científicas e decididamente incorpora sua pesquisa à sociedade”.

“Queremos que os estudantes se vejam refletidos nele como referência”, afirmou Alberto González.

/EFE

 

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