Ativista pirata catalão pode pegar quatro anos de prisão por participação em greve

Por Lorena Müller, chairwoman da Confederación Pirata.
Tradução feita de: http://piratetimes.net/es/pirata-catalan-perseguido-por-participar-en-una-huelga-general/
Versão em inglês: http://piratetimes.net/catalonian-pirate-prosecuted-for-general-strike-participation/

Imagem: CC BY David Castro

No dia 14 de novembro de 2012, o Estado espanhol foi atingido por uma greve geral. Outros países europeus também tiveram suas greves por conta da convocação de uma grande greve europeia contra o “austericídio” [termo usado para designar a “morte causada por medidas de austeridade”]. Na Espanha, a manifestação contra a Troika [FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia], a reforma da Lei do Trabalho e os cortes nos serviços públicos e nas pensões.

A manifestação é lembrada como uma das atuações mais violentas das forças de segurança do estado e do governo contra a população. Por conta dessa greve, mais de 150 pessoas foram detidas. A violência foi tão grande que uma mulher que passava pelo local do ato perdeu um olho devido ao impacto de uma bala de borracha – seu nome é Ester Quintana.

Uma das pessoas detidas era um pirata: Francisco Garrobo, do Pirates de Catalunya. Ele é Coordenador Regional e trabalha fornecendo informações e materiais para as diferentes regionais e incentivando linhas de trabalho e encontros entre elas. Pirates de Catalunya é uma organização descentralizada, de baixo para cima, onde as regionais são autônomas mas trabalham entre si e em rede.

Francisco é um ativista bem conhecido em Nou Barris, bairro onde reside em Barcelona. É membro ativo de coletivos contra despejos e desocupações. Também colabora com o CSO La Vaina [espaço autogestionado]. Esteve envolvido desde o início no Movimento 15M, participando de diversas assembleias. Garrobo também é bastante ativo no Pirates de Catalunya, na Confederación Pirata e na confluência de sua cidade: CUP-Capgirem Barcelona (onde participa como pirata).

No dia seguinte à greve, Francisco foi detido em sua casa pelos Mossos d’Escuadra (forças repressivas da Catalunha). A investigação está sob responsabilidade da juíza Carmen García Martínez, conhecida pelo caso 4F (Ciutat Morta), onde decidiu mandar para a cadeia 4 jovens inocentes, incluindo Patricia Heras, poeta que se matou como consequência disso. Essa juíza também esteve envolvida em outros casos de detenções decorrentes da Greve Geral do 29 de maio, e participa no julgamento de ativistas que realizaram uma ação na Bolsa de Valores.

O procurador e o governo catalão [ou “Generalitat de Catalunya“] acusam Garrobo de ser o autor intelectual de diversas “desordens públicas” ocorridas durante o dia da greve e de ter cometido um delito contra a “segurança viária”, sendo a pena uma multa de 7.700 euros e 4 anos de prisão.

Movimentos Sociais de base e o Movimento Pirata denunciam a repressão por parte do estado espanhol contra ativistas, pessoas trabalhadoras e sindicalistas de base. A nova Lei da Mordaça ataca a democracia, os direitos humanos e as liberdades políticas e colocam a Espanha na mira de organizações internacionais como a ONU, a secretaria de Direitos Humanos da União Europeia, a Anistia Internacional e muitas outras. Conversávamos sobre essa situação no podcast nº7 da Ordem do Unicórnio Pirata.

Tanto os Movimentos Sociais como o Movimento Pirata exigem que Francisco Garrobo seja plenamente inocentado dos eventos relacionados ao piquete da Greve Geral do dia 14 de novembro. Além disso, denunciam a perseguição e repressão aos movimentos sociais e de pessoas trabalhadoras, exigindo a interrupção imediata de atividades nada apropriadas para uma real democracia.

O caso de Garrobo é totalmente absurdo. Mostra o que está acontecendo com ativistas na Espanha e na Catalunha. Sabemos que, em Barcelona e Madri, mas também em outras cidades, existem listas negras tanto da polícia quanto das Delegações do Governo [órgãos cuja função principal é representar o governo nas comunidades ou cidades autônomas correspondentes], e que praticam espionagem com frequência contra ativistas. Temos uma democracia baseada na ditadura; boa parte de nosso judiciário foi composto através de nomeações do ditador genocida Franco em sua época. Precisamos construir uma democracia de, para e pelas pessoas, baseada em direitos humanos. Sabemos que isso também ocorre em outros países da região mediterrânea.

Chega de prisões políticas e ideológicas!

Já que você está aqui…

… nós estamos pedindo por um pequeno favor. Diferente de outras organizações, não recebemos dinheiro de governos e nem de empresas. Também não cobramos por acessos às nossas ferramentas. O Partido Pirata é uma organização independente que luta por direitos digitais, o livre compartilhamento de informações, privacidade para as pessoas e transparência de governos e corporações. Somos pessoas voluntárias tentando construir dia após dia o partido e precisamos de dinheiro para colocar algumas ideias em prática e cobrir diversos gastos. Isso requer muito trabalho e fazemos pois acreditamos que a nossa perspectiva importa porque –  também pode ser sua perspectiva.


Deixe uma resposta

Notice: Comments reflect the opionions of those who did wrote theme. Allowing people comment here, doenst mean, that we also agree with them.

Your email address won't be displayed. Required fields are marked with this sign: *

More information

Arquivo de posts