WikiLeaks revela acordo entre estúdios que obriga Homem-Aranha a ser branco e hétero

Peter Parker, o alter-ego do Homem-Aranha, tem que ser heterossexual e caucasiano, segundo um acordo de licenciamento entre a Sony Pictures e a Marvel. O material foi divulgado pelo WikiLeaks nesta quinta (18).

O contrato assinado em setembro de 2011 –antes do lançamento de “O Espetacular Homem-Aranha” (2012), estrelado por Andrew Garfield– diz que Peter Parker e o Homem-Aranha não são homossexuais (exceto se a Marvel retratar seu alter ego como homossexual) e devem ser caucasianos.

O acordo descreve como obrigatório que o super-herói seja retratado especificamente desta maneira: homem, não tortura, não mata em sua própria defesa nem em defesa de outros, não fala palavrões, não fuma, não vende ou distribui drogas ilegais, não abusa do álcool, não faz sexo antes dos 16 anos, não faz sexo com ninguém menor do que 16 anos, não é homossexual.

Já a descrição de Peter Parker inclui: seu nome completo Peter Benjamin Parker, ele é caucasiano e heterossexual; seus pais se tornaram ausentes e ele foi criado pela tia May e pelo tio Ben em Nova York; ele consegue seus poderes enquanto está no ensino médio ou no colegial; ele ganha seus poderes após ser mordido por uma aranha; ele desenha seu primeiro uniforme vermelho e azul; seu uniforme preto é um simbioide e não foi desenhado por ele; ele é criado em uma casa de classe média no Queens.

 

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Kommentare

6 comments for WikiLeaks revela acordo entre estúdios que obriga Homem-Aranha a ser branco e hétero

  1. Marc commented at

    Eu sou gay e até eu achei ridiculo esse titulo , eu não vi o porquê dessa colocação, mas é claro que o homem aranha tem que ser branco, hetero, porque é como é retratado nos quadrinhos e isso acho que foi um contrato para que não fugisse do que o autor criou e isso não é homofobia, imagine um homem aranha se a Mary Jane ?! é a mesma coisa que colocar o Logan do X-man como gay não tem como !eles tem essências hetero simples assim , Não tem nada de homofobico ou racista nisso. Foi desnecessário esse titulo vamos maneirar nessa onda , nem tudo é homofobia e racismo.

    • Kannon commented at

      O título não diz que foi racismo ou homofobia. Só diz que no acordo entre os estúdios há essa obrigação em retratar Homem-Aranha desta forma.

      • sim Kannon,vc tá certo…literalmente não está dizendo ” Marvel e FOX são homofóbicas e racistas”.,Mas o título,justamente por destacar ”WikiLeaks revela acordo entre estúdios que obriga Homem-Aranha a ser branco e hétero”leva o leitor a absorver que os estúdios fizeram isso com por preconceito ou discriminação,enquanto a tese mais plausível e razoável é de manter a coerência com a história original da essência do personagem Peter Parker.

  2. Será que esse acordo com os estúdios é pra manter a coerência do personagem Homem Aranha principal (o Peter Parker) com os quadrinhos originais ? Acho que seria forçar a barra demais,além de incoerente,acusar os estúdios de homofobia e racismo,por causa disso.
    Se não houvesse monopólio do uso do Homem Aranha por parte da Marvel/FOX,se poderia existir,no Cinema e em HQs mais underground,versões alternativas do Homem Aranha (Peter Parker ou outros),sendo gay,trans,negro (já existe na Marvel,se chama Morales),maconheiro,traficando,assassino,bebedor,etc…

    *O texto do site não está sugerindo isso,mas o título meio que induz à essa interpretação

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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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