Smartphones vs computadores no acesso à internet

A última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) feita pelo IBGE em 2014 revelou uma mudança de padrão no meio de acesso à Internet pelos brasileiros. A conexão à rede, que já está presente em 36,8 milhões de casas – mais da metade do total da população -, é feita com mais frequência pelos smartphones que por computadores, representando 80,4% do acesso contra 76,6% pelos PCs.

A pesquisa aponta ainda um aumento da presença da banda larga móvel (3G e 4G) nos domicílios desde a última pesquisa (2013), saltando de 19,3 para 62,8%, que é reflexo da preferência pelos aparelhos móveis no acesso à Internet. A banda larga fixa (motor das redes de Wi-Fi) está em 71,9% das casas. A coexistência dos dois tipos de conexão é observada em 35,5% das residências.

A preferência pelos smartphones pode ser explicada por vários fatores: preços mais acessíveis, ascensão de redes sociais exclusivas para a plataforma móvel como Instagram e Snapchat e também de comunicadores como o Whatsapp, interface bastante visual e simples para o usuário, aplicativos que atendem às necessidades do usuário comum no seu cotidiano, entre outros.

Com o aumento do uso dos aparelhos móveis, vêm alguns problemas:

* O acesso à Internet via banda larga móvel é limitado por uma pequena franquia determinada pelas operadoras. Planos com mais dados são caros e inacessíveis à maioria da população, o que acaba por restringir seu acesso às redes sociais, comunicadores, sites com layout para mobile e alguns poucos vídeos no YouTube;
* A maioria das marcas de smartphones vende seus aparelhos com um pacote pré-instalado de aplicativos que não são possíveis de desinstalar por vias comuns (acessando as configurações do aparelho, por exemplo). Esses aplicativos ocupam uma quantia razoável do já limitado espaço interno dos celulares, restringindo a possibilidade do usuário instalar e acessar conteúdo que lhe interessa e
* A facilidade com que se permite a aplicativos acessar câmera, microfone e GPS/localização gera inúmeras brechas de segurança, permitindo vazamento de dados, arquivos etc. Esse também é um problema recorrente em computadores, principalmente notebooks que possuem câmera e microfone embutidos. Existe pouco material de conscientização sobre esses riscos voltado ao usuário comum – quem tem uma fita tapando a câmera do notebook com certeza já ouviu que era paranoia demais. É importante lembrar que essas brechas de segurança permitem acesso não apenas de “hackers” mal intencionados como também das próprias empresas donas dos apps para fazer data mining.

Os smartphones são, sem dúvida, uma ferramenta fundamental na democratização do acesso à informação e à rede. Contudo, não pode haver uma real democratização enquanto as conexões forem limitadas por franquia, os aparelhos tiverem um pacotão padronizado de aplicativos e os usuários não conhecerem seus reais direitos no que tange à segurança de informações. Conhecimento é uma arma e estão tentando tirá-la de nós.

Por Lais Sidou

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