Se fosse operadora, ‘Gatonet’ seria a 3ª do Brasil

GATONET: A TV PAGA, SEM PAGAR

Se fosse uma operadora, a “Gatonet”, como é chamada a pirataria na TV paga, seria a terceira maior do Brasil, atrás apenas da Net (6,1 milhões) e da Sky (5,1 milhões). De acordo com uma pesquisa feita pela FGV e pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), o comércio ilegal movimenta mais de R$ 782 bilhões por ano no Brasil.

Quando se trata de TV por assinatura, a pesquisa constatou que 18,1% dos usuários brasileiros não pagam pelo serviço. Este número representa 4,2 milhões de domicílios que movimentam R$ 1,8 bilhão, quase 10% do mercado total, estimado em R$ 23,7 bilhões.

O número de usuários dos “gatos” só fica atrás dos assinantes da Net e da Sky e contaria com  quatro vezes mais assinantes que a Oi (886 mil). A net e Sky são da Organizações Globo só lembrando um grande monopólio que controla quase todo o sistema de TV a cabo.

A Globo Comunicações e Participações tem ainda 51% da Net Serviços. O bloco de controle da empresa inclui a Telmex, do bilionário mexicano Carlos Slim, que também é dono no Brasil da Embratel e da Claro. Slim é o homem mais rico do mundo, segundo a revista “Forbes”, tambem segundo a forbes a familia Marinho, os três irmãos que controlam as Organizações Globo são bilionários: Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho, José Roberto Marinho. Juntos, eles têm uma fortuna estimada em US$ 28,9 bilhões.

Existem alguns satélites antigos (e com problemas) sendo usados por algumas empresas de TV por assinatura. Através desses problemas, “hackers” conseguem ter acesso ao conteúdo transmitido por eles. Esse sinal, originalmente codificado, teve seu algorítimo “quebrado” e através disso, foram criados decodificadores que conseguem ler e “decifrar” o sinal, tornando-o disponível de forma “gratuíta”.

Assim como acontece na TV paga “tradicional”, o sinal é captado do satélite através de uma antena e chega ao decodificador da empresa (Sky, Net, etc.) Esse decodificador verifica se o assinante está ativo, qual o plano contratado e libera apenas o conteúdo autorizado. No “esquema alternativo”, o decodificador simplesmente ignora a validação inicial, liberando todo o conteúdo transmitido pelo satélite.

Ai funciona o “ AZAmerica” é a marca de um desses decodificadores, mas existem várias outras. No Paraguai por exemplo, existe quase uma dezena de marcas e inúmeros modelos. O mais em conta custa cerca de USD 40, incluindo ae o preço da antena. No Brasil, até bem pouco tempo atrás, esses produtos eram comercializados aos montes em sites como Mercado Livre. Porém, pelo que foi visto recentemente, o número de vendedores que oferecem o decodificador caiu bastante e costumam vender o aparelho (sem antena) na faixa de R$ 250,00.

 


Kommentare

4 comments for Se fosse operadora, ‘Gatonet’ seria a 3ª do Brasil

  1. Moraes commented at

    Tem uma parada que rola e que a Sky faz vista grossa porque afinal de contas ela é que no final é quem esta lucrando. Funciona da seguinte maneira, uma pessoa contrata um plano da Sky mega full toda a programação e 6 decodes se eu não me engano o máximo permitido, ai essa pessoa distribui o decodes entre amigos e parentes já que o decoder funciona em qualquer lugar, é só ter um antena apontada para o satélite que ele funcionará, assim o preço final do pacote fica em torno de 60 reais para cada um, isso com tudo HBO, Canais de sport e tudo mais. Isso é na cara concorrencia desleal só que a Sky sabe que rola isso e faz vista grossa.

  2. Acredito que o apelo das pessoas à Pirataria de TV a Cabo é uma resposta ao mal serviço e negócio que prestam pro consumidor. A ideia de ”vender canais em pacotes fechados” é uma desgraça ! A pessoa,as vezes,só quer pagar pelos canais que realmente lhe interessa,mas é obrigada,pelas Operadoras,a comprar UMA PORRADA de canais que NUNCA vai assistir.E,em alguns casos,um desses poucos canais de interesse é um de Combo mais caro e ela se vê meio que induzida a pagar mais por causa de UM CANAL que gosta…O Mercado de TV por Assinatura precisa ser reformulado ! Será que alguma lei que obrigue a Operadora a fornecer outros modelos de negócio,fora os Combos,poderiam ajudar a fiscalizar e melhorar esse Mercado ?

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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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