Por que as pessoas baixam Game of Thrones – Uma análise de custo global

Milhões de pessoas pirateiam Game of Thrones em vez de pagar pela série. Uma das principais razões é o custo elevado de uma assinatura premium, algo que não surpreende quando olhamos os preços em alguns países. Sinceramente, você pagaria 500 dólares para acompanhar a  temporada mais recente?

Em algumas horas, um novo episódio de Game of Thrones aparecerá no BitTorrent, e aproximadamente 4 milhões de pessoas terão baixado essa versão não-oficial.

Aqueles que pirateiam a série possuem diversos motivos para isso. Em alguns países, simplesmente não há opção disponível que não seja ilegal; no entanto, o preço dos vários serviços legais é um obstáculo igualmente problemático.

Então, quanto custa para ter acesso de forma legal à série em países nos quais a mesma é frequentemente pirateada? Decidimos dar uma olhada nisso baseando-nos na lista de países com maior número de pessoas compartilhando Game of Thrones na semana passada.

Segue uma seleção das opções que as pessoas possuem na Austrália, nos EUA, no Reino Unido, no Canadá e na Holanda.

AUSTRÁLIA

Na Austrália, fãs de Game of Thrones precisam de uma assinatura da Foxtel. Quando olhamos os pacotes oferecidos no site, a opção mais barata parece ser o combo filme e drama, que custa 74 dólares australianos (mais ou menos 70 dólares americanos) por mês.

No entanto, o tempo mínimo de assinatura é seis meses, o que faz com que o custo seja AU$520 (~ US$ 490).

Supondo que a pessoa esteja interessada em assistir apenas Game of Thrones, fãs na Austrália precisam pagar AU$52  (~ US$ 49) por episódio, o que é um tanto caro.

Mas, apesar de não ser propagandeada como uma das opções comuns, há também a assinatura da Foxtel Play. Ela permite às pessoas assistirem Game of Thrones por encomenda através de uma variedade de serviços. O custo normal desse plano é AU$ 50 (~ US$ 50) por mês, sendo que há uma oferta no momento para que se pague AU$ 35 (~US$ 35) pelos três primeiros meses. O site da Foxtel diz que não há contratos longos, o que faz com que essa opção seja consideravelmente mais barata.

ESTADOS UNIDOS

Nos EUA, existem diversas opções disponíveis, que variam de acordo com cada provedor de TV a cabo. O preço da maioria das assinaturas da HBO está entre 15 e 25 dólares por mês, dependendo de onde você vive e de seu plano atual.

O lado ruim, além do fato de que eles podem durar vários meses em algumas ocasiões , é que os contratos da HBO requerem uma assinatura de TV a cabo/Internet. Isso torna o pacote completo consideravelmente mais caro, mais de 100 dólares ao mês em alguns casos.

Mas, piratas precisam de uma assinatura de Internet de qualquer forma.

REINO UNIDO

No Reino Unido, Game of Thrones está disponível através da Sky Atlantic. O preço é £21,50 (US$ 36) por mês, mas com um contrato mínimo de 12 meses. Isso significa que, para aqueles interessados apenas em Game of Thrones, o preço por episódio é £25,80.

A boa notícia é que as pessoas no Reino Unido podem assistir os episódios simultaneamente à transmissão nos EUA, o que foi feito por 9.000 pessoas no último domingo.

CANADÁ

No Canadá, Game of Thrones vem em um pacote de The Movie Network. O preço é aproximadamente 20 dólares canadenses (~ US$ 18) por mês tanto no serviço da Bell quanto no da Rogers. Também é preciso uma assinatura de TV por satélite ou digital, o que aumenta o preço para C$ 60 por mês para os que não possuem uma.

Assim, como nos exemplos anteriores, alguns planos incluem um contrato de vários meses para os que desejam assistir apenas Game of Thrones.

HOLANDA

Na Holanda, a HBO pode ser encomendada como um adicional à maioria das assinaturas de TV a cabo. O preço normal é aproximadamente 15 euros (~US$ 21) por mês, e diversos provedores permitem às pessoas que cancelem suas assinaturas depois de um mês.

A assinatura mais barata na Holanda custa 10 euros em média, o que eleva o preço do pacote completo para mais ou menos 25 euros (~US$ 35) mensais.

Curiosamente, HBO NL oferece o primeiro episódio da quarta temporada gratuitamente no YouTube. Mas, obviamente, isso só está disponível para os que moram na Holanda.

CONCLUSÃO

Mostramos acima como Game of Thrones certamente não custa barato, principalmente para os que têm cancelado suas assinaturas de TV a cabo e que não possuem interesse em qualquer outro conteúdo que venha junto com a série.

Enquanto a maioria das pessoas concordará que pagar por conteúdo é a coisa certa a se fazer, essa nem sempre é a escolha intuitiva quando um único episódio é duas vezes mais caro que um bilhete de entrada para um blockbuster comum de Hollywood.

Então, esses piratas todos possuem um ponto ou não?

De acordo com Bruce Meagher, diretor corporativo da Foxtel: não.

“Apenas nos sobra um argumento marginal sobre uns poucos dólares. Ainda assim, as pessoas continuam sentindo que possuem o direito de levar a série de graça sem o consentimento dos seus criadores em vez de pagar um preço razoável por um produto extraordinário”, ele diz.

“Os Lannisters podem não ser muito agradáveis, mas, ao menos, eles pagam suas dívidas”, ele completa.

Então, o que você pensa?

Fonte: torrentfreak 


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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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