Dicas para organizar um evento do Partido Pirata

Se você ou seu grupo endossa os princípios que unem a Partido Pirata – Brasil talvez você queira promover eventos PIRATAS. Aqui estão dicas adaptadas. Fique livre para comentar e colocar sugestões!

Eventos

Eventos Públicos — de palestras, manifestações e financiamentos coletivos — são ótimas formas de introduzir uma ideia a um grupo de pessoas, permitir conexão entre ativistas e futuros ativistas, e atrair atenção da imprensa. Eventos documentados por vídeo e fotos podem ser disponibilizados online, provendo informações e inspiração para pessoas ao redor do mundo.

Que Tipo de Evento Você Deveria Fazer?

O tipo de evento que você organiza tem muito com quem você e quais seus objetivos. Aqui algumas ideias para eventos locais para ativismo:

Manifestação de Rua

Atos de rua podem trazer muitas pessoas, chamar atenção da mídia e produzir fotos e vídeos interessantes. É preciso considerar a potencial interação com a polícia — ter telefones de advogados em mãos.

Vigília

Eventos noturnos, ocasião de solenidade ou homenagem, encontros pequenos.

Palestra, discussão, debate

Caráter universitário, desconstruir questões complexas, ativar estudantes. Ótimo para gravar e colocar online. É preciso organizar o espaço ideal e os oradores apropriados.

Festa

Oportunidade para levantar fundos e conectar ativistas. É preciso considerar os custos da festa e o limite de pessoas.

Shows de música, instalação artística, poesia, livro

Importante para engajar artistas e amante das artes, explorar questões complexas, ter cobertura da mídia e oportunidade de fotos e vídeos. É preciso organizar o espaço, oferecer comida e produzir arte conjuntamente

Exibição de Filmes com debate

Ótimo para públicos pequenos e médios. Você precisa de um projetor, uma fonte de energia (um gerador se for em uma praça) e um filme apropriado

Ir para o evento de alguém

Excelente se você não tem absolutamente ninguém para te ajudar em nada. É preciso considerar que talvez os participantes do evento não estejam nem aí para você ou para sua causa. Não esqueça de ler o Guia Pirata para Manifestações.

Promova Seu Evento

O sucesso do seu evento está ligado diretamente com o quanto você o promove. Tente essas táticas para ajudar a garantir um bom evento.

  • Entre em contato por email com organizações que possam ter interesse em participar
  • Use as redes sociais
  • Jornais pequenos locais podem listar seu evento em um calendário, mídias independentes igualmente podem promover e você pode por cartazes em murais de universidades e espaços culturais.
  • Contate fóruns e listas, envie uma nota sobre seu evento, peça a outros participantes para ajudar a promover o evento. Inclua um convite que possa ser circulado.
  • Flyers podem ser uma ótima maneira de “espalhar a Palavra”, especialmente se você está em um campus universitário ou participando de outro evento ma semana antes.
  • Se for uma grande manifestação, talvez você gaste algumas semanas indo em pessoa visitar organizações locais e pedindo para que as pessoas se envolvam.
  • Um nome famoso no evento pode ajudar a engajar as pessoas

Prepare os Folhetos

Faça um panfleto de uma ou duas folhas provendo um visão geral da questão, uma declaração clara da sua posição e informação de como as pessoas podem se engajar. Use imagens ou outros elementos visuais para tornar os folhetos graficamente atraentes. Esses folhetos também devem estar acessíveis online, se possível.

Stickers (adesivos) também são importantes para distribuir em eventos. Um sticker simples com uma declaração poderosa e um URL do site é fácil de fazer, e parece ótimo em cases de laptop, garrafas de água, etc.

Documentar o Evento

Uma das coisas mais importantes que você deve fazer é documentar o evento. Tire muitas fotos e tenta promover online as melhores. Jornalistas poderão utilizar suas fotos quando escreverem notícias sobre a sua questão, grupos ativistas podem usar suas fotos em outros eventos futuros, e participantes poderão divulgar nas redes sociais e espalhar pelo mundo. Se ligue que nem todos participantes irão curtir que você tire fotos da cara deles. É bom respeitar as pessoas; isso cria um ambiente seguro em que as pessoas se sentem confortáveis. Se você estiver em uma manifestação, junte todos os participantes com seus cartazes para uma foto em grupo. Vídeos são formas poderosas para documentar eventos, e são especialmente bons em leituras, palestras e discussões. Para leituras e palestras, um streaming ao vivo pode trazer audiência do mundo todo.


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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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