O Herói, o Gênio e as Redes

httpcriarmidias.com.brwp-contentuploads201203o-poder-das-redes-sociais-16.jpg

fonte imagem

por Mateus Bispo

“Houve um tempo em que os gigantes andavam sobre a Terra entre os homens. E eles eram filhos dos deuses e faziam grandes coisas…”. Este parece o início de mais uma lenda qualquer, mas é um mito recorrente em muitas civilizações ao redor do mundo. No judaico-cristianismo, por exemplo, haviam os filhos dos anjos, entre gregos e romanos semideuses. Mesmo entre nossos heróis modernos é muito comum sua linhagem remontar a alguma raça, clã, grupo nobre ou a um grande homem sobre quem projetavam a condição de herói predestinado. Alguém acima do humano ordinário.

O mito do herói nasce em parte da busca pela iconização de uma perfeição física, moral e intelectual possível e alcançável dentro da condição humana, bem como a idealização da possibilidade de um prometido, um messias, um salvador capaz de resgatar a humanidade de seus problemas e vicissitudes, ao mesmo tempo em que nos afasta de qualquer responsabilidade de auto aperfeiçoamento para atingir esse mundo melhor.

Quando o mundo era mais simples, rústico e essencialmente militar, o herói era um homem dotado de grande força física, capaz de derrotar exércitos sozinho, assim como portador de grande beleza e virilidade. Na nossa era do conhecimento, lentamente passamos a idolatria da razão e do conhecimento. Transformamos a força em inteligência e o herói em gênio. Os criadores solitários de um mundo melhor, mais belo, mais justo. Como se qualquer criação ou descoberta humana não fosse resultado da longa produção cientifica e artística precedente. Como se Einstein não fosse herdeiro de Copérnico e Galileu. Como se Picasso não fosse herdeiro de Michelangelo e Da Vinci. Mas, mais importante do que isso, como se todos esses não fossem resultados diretos ou indiretos das centenas de anônimos que construíram a longa estrada de ligação entre os nomes citados.

É chegada a hora de reconhecer que o homem é fruto de um universo de artes, de músicas, de poesias e de ciências anteriores e externas a sua própria existência, a quem ele deve sua referência e toda e qualquer produção. O intelecto humano é uma fábrica de reconstrução, numa eterna dança de refazenda. Nessa perspectiva, a humanidade continua sua busca pelo perfeito idealizado, por um mundo melhor, pela utopia, e começa a procurá-la em um outro lugar. Não mais no mitológico fruto da união entre humano e divino, nem nos solitários gênios inspirados, mas no ser humano imperfeito, falho e incompleto que está ao seu lado.

A matemática da rede é no mínimo surpreendente. Nela, a soma das fraquezas e imperfeições resulta em força; a soma dos conhecimentos limitados produz a mais surpreendente genialidade; e a soma das pequenas criatividades lança as mais inesperadas inventividades. Mas, sobretudo, a rede devolve ao indivíduo a responsabilidade da condução dos seus caminhos e o poder de mudar a vida de seus semelhantes.

É justamente aí que reside a importância da antipersonalismo e do colaborativismo pirata, pois eles são um reconhecimento do fato de que a rede, o coletivo, é superior, mais completo e mais sábio que qualquer indivíduo que o compõe. Ao mesmo tempo, mostra que é completamente dependente das contribuições e da construção possibilitada pela efervescência de ideias nascidas do encontro permanente de opostos, unidos pela força do objetivo comum.

Já que você está aqui…

… nós estamos pedindo por um pequeno favor. Diferente de outras organizações, não recebemos dinheiro de governos e nem de empresas. Também não cobramos por acessos às nossas ferramentas. O Partido Pirata é uma organização independente que luta por direitos digitais, o livre compartilhamento de informações, privacidade para as pessoas e transparência de governos e corporações. Somos pessoas voluntárias tentando construir dia após dia o partido e precisamos de dinheiro para colocar algumas ideias em prática e cobrir diversos gastos. Isso requer muito trabalho e fazemos pois acreditamos que a nossa perspectiva importa porque –  também pode ser sua perspectiva.


Kommentare

One comment for O Herói, o Gênio e as Redes

  1. Pingback: O Herói, o Gênio e as Redes | PIRA...

Deixe uma resposta

Notice: Comments reflect the opionions of those who did wrote theme. Allowing people comment here, doenst mean, that we also agree with them.

Your email address won't be displayed. Required fields are marked with this sign: *

More information

Arquivo de posts