Mapeando o paradigma Pós-Capitalista emergente e seus principais pensadores

Esse é um post cruzado de um diagrama e texto que nós originalmente fizemos para a Fundação P2P e que eles publicaram primeiro em seu wiki wiki “http://blog.p2pfoundation.net”. Ele inesperadamente gerou uma porção de comentários. Nós levamos tudo em conta e atualizamos o diagrama para o site “http://CommonsTransition.org“, o que gerou ainda mais comentários. Muita discussão também aconteceu no excelente grupo de Facebook “Friends of the P2P Foundation“, que você pode conferir aqui.

“Nós não vivemos em uma era de mudanças, mas em uma mudança de eras” é a maneira que Jan Rotmans da Universidade de Rotterdam descreve as mudanças estruturais que estão impactando nossas sociedades. Essa também é uma frase que Michael Bauwens escolheu para abrir seu último livro que ainda será publicado em Inglês, cujo título deverá ser algo próximo de “Em direção à uma sociedade pós-capitalista com Peer-to-Peer”

Para pensadores como Jan Rotmans e Michael Bauwens essa mudança de eras está vinculada à Revolução Industrial na segunda metade do século 19, caracterizado por transições em vários campos. Em poucas palavras, nossa sociedade encara 3 pontos críticos principais:

  • Uma mudança na ordem social de uma sociedade central e hierarquicamente controlada para uma horizontal e descentralizada, além de unidade de funcionamento de baixo pra cima.
  • Uma estrutura econômica em modificação: enquanto que no passado grandes e burocráticas organizações eram necessárias para produzir produtos baratos, na nova economia digital é possível desenvolver produtos e serviços localmente em pequena escala.
  • Uma mudança nas relações de poder: enquanto que a influência política e economias de escala determinam acesso para recursos, acesso ao conhecimento e informação agora também é acessível fora das instituições sociais e políticas.

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Seguindo essa análise, é para ganhar mais insights que nós da blaqswans.org queremos ilustrar uma perspectiva geral do emergente paradigma pós-capitalista, sustentadas por dimensões peer-to-peer e colaborativas. Nós começamos a mapear varios domínios para ir além da evidência anedótica que essa ou aquela iniciativa está se desenvolvendo em compartilhar carros ou trocar casas.

Nós confirmamos algumas coisas enquanto desenhamos esse mapa:

  • Há muito mais nessa transição que a campanha de marketing oferecida pelo o Uber e Airbnb, que não são realmente peer-to-peer. Isso é precisamente o motivo pelo qual nós deliberadamente recusamos o formato de favo-de-mel popularizado pelo infográfico “Collaborative Economy Honeycomb”. Ela lista empresas de startup que afirmam fazer parte da “economia do compartilhamento”, quando muitas são apenas capitalismo desenfreado tentando otimizar a ‘economia de venda’ já existente – nada errado com vender mas não vamos chamar isso de ‘compartilhar’ com as requisições éticas normalmente anexadas a ela.
  • O trabalho intelectual de teorizar essa nova economia atingiu uma massa crítica que é muito frequentemente ignorada por economistas mainstream e órgãos reguladores que tratam esse fenômeno como algo menor e não representativo.
  • Postos juntos, as iniciativas práticas se desenvolvem em bases de nível popular e oferecem uma alternativa sustentável crível, contradizendo a percepção eventual de que o paradigma pós-capitalista é uma utopia imaginada por hippies isolados. Ao contrário, agora é possível comprar comida regularmente fora dos conglomerados de distribuição das redes varejistas e é possível para fazendeiros produzir de uma maneira bio-dinâmica e comercialmente viável para escapar dos ciclos viciosos dos pesticidas e do alto rendimento.

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Esse mapa ainda está em desenvolvimento e será melhorado à medida que nós avançamos. Nós queremos parar de contemplar os problemas do atual paradigma e, ao invés disso, mostrar como cada um desses assuntos tem pensadores e articuladores confiáveis oferecendo alternativas críveis (nós escolhemos apenas alguns deles para ilustrá-los, mas certamente existem muitos outros) e como essas alternativas começaram a ser implementadas de modo a formar um sistema coerente que irá trazer a sociedade pós-capitalista à vida.

Para que isso tenha sucesso será necessário um movimento dos movimentos, uma aliança do movimentos separados, incluindo uma coalizão de movimentos sociais globais e de justiça ambiental para o cancelamento das dívidas e assim por diante. Não há é claro nenhuma garantia de sucesso. Cada mudança requer uma transição de sucesso: esse será o desafio. Mas contar e mapear as nossas tropas é um passo inicial necessário para fazer essa causa prevalecer.

Celina & Xav – 13 de janeiro de 2016 – Paris

artigo original aqui, créditos de tradução da imagem são de Cláudio Estevam Próspero do blog Movimento Zeitgeist

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