Lenovo vende computadores com software espião, após vazar na internet avisa que vai retirar

Foi descoberto que um software que vem pré-instalado nos computadores da Lenovo possui uma falha pela qual hackers poderiam acessar informações pessoais dos usuários, como senhas, dados bancários, endereços etc.

O problema está no adware Superfish, programa usado para coletar informações para mostrar publicidade personalizada aos donos dos computadores. A questão é que o Superfish é capaz de instalar um proxy que pode produzir certificados SSL falsos sempre que tiver de passar por uma conexão segura.

O SSL é um certificado usado por bancos, lojas e redes sociais para comprovar que seus sites provém conexões seguras. Como o Superfish produz esses selos, o programa consegue penetrar sites seguros para coletar informações deles e ainda injetar publicidade ali.

Um exemplo dessa capacidade foi mostrada pelo especialista em segurança Kenn White que, no Twitter, publicou uma imagem que mostra um certificado emitido para o Bank of America pelo Superfish, sendo que essa garantia deveria vir de uma empresa especializada em segurança.

 

Um especialista consultado pelo The Verge explicou que, se um hacker conseguir violar as chaves de segurança do Superfish, ele será capaz de criar uma linha de certificados que pode se infiltrar em todos os computadores da Lenovo.

O Superfish já havia trazido polêmicas à Lenovo, que em janeiro teve de se explicar acerca do uso do software e até desabilitá-lo temporariamente. Agora, a companhia disse ao Verge que investiga as novas questões “exaustivamente” e que quem conseguiu desligar o programa no mês passado o verá removido da máquina; já os novos computadores sairão de fábrica sem ele.

Depois de admitir ter instalado o adware Superfish em PCs vendidos entre setembro de 2014 e janeiro de 2015, a Lenovo afirmou que vai lançar ainda nesta sexta-feira, 20, uma ferramenta para remover o arquivo malicioso dos dispositivos afetados. A empresa também publicou em seu site instruções que ensinam os usuários a remover sozinhos o software.

“Nós investigamos essa tecnologia amplamente e não achamos qualquer evidência que sustente as preocupações com segurança […] O software não traça perfis ou monitora o comportamento do usuário. Não grava informações do usuário e não sabe quem é o usuário”, afirmou um porta-voz da empresa.

Especialistas em segurança, no entanto, afirmam que o adwarwe poderia monitorar os usuários e converter termos de busca em anúncios de lojas virtuais. O programa também seria capaz de aprovar seu próprio certificado de segurança, coletando dados pessoais e deixando o usuário vulnerável a possíveis ataques.

Em comunicado, o diretor da desenvolvedora do softwarwe Adi Pinhas, defendeu o software: ”A Superfish é completamente transparente no que o nosso software faz e em nenhum momento os consumidores ficaram vulneráveis.”

O adware não será mais pré-instalado e foi desativado em todos os dispositivos disponíveis à venda no mercado desde janeiro. Quem desejar desinstalá-lo pode acessar as instruçõesaqui.

Via Reuters e PC World

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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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