Preserve sua intimidade, a Internet não guarda segredos! – Um guia para nudes.

Por: Coletivo Bucaneiras

 

Ter imagens íntimas divulgadas na Internet tem sido algo comum nos últimos tempos e diversas mulheres tiveram fotos e vídeos compartilhados na rede sem consentimento. Muitas das vezes o conteúdo é disponibilizado publicamente por ex-companheiros como forma de vingança ou então quando o arquivo cai na mãos de pessoas que tiveram contato com os respectivos arquivos pessoais.

Seja qual for a razão que leve à divulgação dos momentos íntimos de qualquer pessoa, a prática não é nada legal, literalmente, pois divulgar fotos íntimas de qualquer pessoa sem autorização é sim um crime. Quem divulga essas fotos é criminoso e todo mundo que ajuda a espalhar está sendo cúmplice. No entanto, nesse sistema patriarcal, sabemos que a mulher é sempre penalizada, constantemente questionada e cobrada por seus atos, enquanto o homem possui uma conivência da sociedade para desumanizar suas vítimas. Por isso muitas acreditam que a melhor maneira de não ter nudes compartilhadas na Internet é não enviá-las para ninguém ou sequer tirá-las.

Trata-se de uma questão de gênero. Geralmente os homens heterossexuais não procuram ajudar e não sofrem grandes consequências. As mulheres sofrem um impacto social grande, tais como: depressão, transtorno de ansiedade, abandono de emprego ou escola e tentativas de suicídio.

Inúmeros casos de suicídio entre adolescentes e jovens que tiveram fotos íntimas vazadas por ex-companheiros já foram registrados e incontáveis outros casos semelhantes estão ocorrendo neste exato momento. Isso é uma tortura sobre as vítimas destas situações. A pressão social que aflige as vítimas é muito grande. É como estar nu no centro de um estádio onde milhares de pessoas olham, riem, maldizem, cospem e agridem a pessoa de inúmeras formas. Manter-se calma e encontrar apoio psicológico e moral nem sempre é tarefa fácil. É importante que tenhamos empatia e busquemos não julgar ninguém pelo modo como conduz sua vida particular e muito menos repassar arquivos deste tipo que circulam pela rede e grupos online. Você, certamente, estará sendo parte da causa de sofrimento de alguém.

Assim, levando em conta aquelas e aqueles que optam por estender certas faces de suas particularidades para a Internet, preparamos algumas dicas que podem ajudar a escapar dessa situação complicada que é ter imagens comprometedoras disponíveis para pessoas indesejadas na Internet. Assim, se você for adepta(o) do “manda nudes”, aprenderá aqui a minimizar seus riscos 😉

> No telefone (Android/iOS):

Existem algumas dicas básicas que são importantes:

1) Senhas – Colocar uma senha para desbloquear o celular e/ou identificador de digital (iOS) é essencial (alguns modelos top de linha android também possuem identificador de digital.

2) Senhas específicas para galerias de fotos/pastas de arquivos. Ideal é colocar senhas diferentes para essas pastas e nos apps que armazenam e enviam as fotos – Whatsapp, Telegram, Messenger e os demais abaixo que recomendamos.

3) Não armazene suas fotos em Google Drive, Mega, One Drive e outros.

4) Tomar cuidado com conexões bluetooth e Wifi abertas, pessoas mal intencionadas podem invadir seu dispositivo e roubar suas fotos (e outras informações pessoais). Uma conexão Wifi não aberta é aquela que usa criptografia WEP/WPA, ou seja, exige senha para conexão. Não existe segurança em conexões Bluetooth. Por isso deixe-o desativado.

5) Não é recomendado enviar esse tipo de arquivos via Whatsapp, Telegram, Snapchat, Instagram e Facebook Messenger
Caso envie, evite fotos que te identifiquem. Não mostre tatuagens, piercing, seu quarto ou qualquer outra característica que possa identificar que seja você na foto.

6) Atualize suas senhas periodicamente.

7) Embace as imagens com aplicativos de edição de imagens, trabalhe com contraste, brilho, opacidade, tampe seu rosto (NUNCA MOSTRE seu rosto na foto – essa dica é essencial para preservar sua identidade, independentemente da foto vazar ou não).

8) Exclua metadados das imagens. Suas fotos contém informações sobre você e talvez você nem saiba. Algumas câmeras podem deixar dados nas fotos ao salvá-las, como seu nome, localização, data, marca do aparelho etc. Por isso é bom excluirmos esses dados.

9) Essas dicas não foram importantes? Ainda está complicado? Podemos usar Esteganografia, a arte de esconder. Podemos colocar uma imagem em um documento de texto, música, vídeo etc. Veja mais sobre isso na parte “Aplicativos”.

10) Seu telefone foi roubado e você possui nudes e não tinha feito nenhum desses passos?

Pra fazer o bloqueio você precisa ter o IMEI de alguma maneira, uma numeração que vem na caixa do seu aparelho, mas também acessível se você digitar: *#06#. Ligue pra operadora e informe o número do IMEI. Seu telefone ficará bloqueado. O bloqueio do aparelho também pode ser feito apenas com o número, basta ir na delegacia e dar queixa de roubo e entrar em contato com a operadora.

Aplicativos:

Alguns aplicativos interessantes para troca de mensagens/imagens de modo “secreto”:

Kaboom –  uma espécie de privnote para fotos, você gera um link com uma foto e compartilha e em seguida esse link é destruído.
KeepSafe – com ele, você pode bloquear suas pastas, galeria e algumas fotos especificamente com senhas.
Confide – esse aplicativo conta com uma criptografia para troca de mensagens e fotos. O interessante desse aplicativo é que ele funciona como o Kaboom, excluindo as fotos após a visualização. Esse aplicativo NÃO permite tirar screenshot da tela (o famoso print), impossibilitando algum vazamento de fotos/conversas. Primeiro ele manda uma mensagem avisando se alguém traiu sua confiança e tirou uma foto automática da tela com seu nude. A outra é que ele só revela a foto parcialmente, conforme o feliz receptor do nude vai deslizando seu dedo pela tela.
Chat Secure (iOS, Android) – Troca de mensagens também criptografada
Esteganografia (Android).
Esconda suas imagens e documentos de textos. Tutorial: http://sejalivre.org/esteganografia-parte-2-dispositivos-moveis/
ObscuraCam (Android): Além de apagar metadados, borra rostos em fotos e vídeos.

Manuais e tutoriais:

Manda nudes – Guia sensual de segurança digital.

> No computador:

Criptografia

Veracrypt – Crie senhas/criptografia em suas pastas de fotos, impedindo que qualquer pessoa tenha acesso. Veja este vídeo explicativo.
Tutorial – Criptografar volumes.
Tutorial – Criptografar emails (Windows).
Esteganografia – Esconda seus arquivos em músicas.

Metadados

Meta Dados Imagens (Android).
ExifTool.
JPEG & PNG Stripper.
Tutorial – exibir e excluir metadados.

Anonimato e privacidade

Como usar Tor para navegar anônima na web.
Como utilizar o Tails para se manter anônima na internet.
Configuração para Especificar um país com Tor (em inglês).

Android rooting

Consiste essencialmente em conseguir permissões elevadas dentro de seu celular. Com acesso root você é capaz de acessar e modificar arquivos que normalmente seriam inacessíveis, como os que estão armazenados nos diretórios /data e /system.
O acesso root também permite aos usuários instalar o poderoso e versátil Xposed Framework, que funciona como uma “ponte” entre o sistema e as camadas superiores do Android e permite a realização de operações sem qualquer modificação nos arquivos internos do Sistema Operacional.


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Diga aos deputados: não censurem nossa Internet

Olá congressista!

O projeto de lei 5.204/16 propõe o bloqueio de acesso a sites "precipuamente dedicados ao crime" hospedados no exterior e sem representação no Brasil, excluindo, expressamente, a possibilidade de bloqueio de aplicativos de troca instantânea de mensagens (sim, o WhatsApp).

Em sua justificativa, anexa ao projeto, argumenta-se que hoje, para se retirar do ar sites criminosos - incluindo aqueles de ponografia infantil e de tráfico de drogas - tem que se expedir uma carta rogatória (documento que pede cumprimento de ordem judicial brasileira no exterior) para o servidor. Por ser demorada, não seria medida adequada de combate a esses crimes, devendo-se, então, bloquear o acesso de brasileiros a tais sites.

Contudo, há um grande problema nessa lógica de combate ao crime: sites que cometem crimes hediondos e torpes, como a pornografia infantil, NÃO estão na internet normal (surface web), e sim na internet não-indexada (deep web). O que isso quer dizer? Que não há como bloquear acesso a esses sites pelas medidas propostas pelo PL. E mesmo que essas trocas de material ilegal na internet esteja sendo feita em território brasileiro, a justiça já tem meios para combatê-las (a operação DarkWeb II da Polícia Federal,  de combate a pornografia infantil online, criminalizada no art. 241-A do Estatuto da Criança e Adolescente, estourou no dia 22/11/2016).

Ou seja, a título de combate a crimes graves, estão dando de um jeitinho de bloquear sites que desatendem aos interesses da indústria fonográfica, punindo a população ao dificultar acesso à informação, cultura e conhecimento.

Ainda que a primeira coisa que venha à mente nessas situações sejam os sites que disponibilizam filmes e séries inteiras para download ilegal, como o MegaFilmesHD e outros sites que já foram fechados, o PL não é nada claro com relação ao que seria considerado um provedor "precipuamente dedicado à pratica de crime", e as violações estabelecidas pela Lei de Direitos Autorais não se limitam ao compartilhamento ilegal de obras protegidas.

Na verdade, está bem longe disso.

A utilização derradeira de determinadas obras protegidas para produção de alguns tipos de obras derivadas –como remix de músicas, fotos para memes e vídeos que utilizam trechos de filmes para desenvolver críticas a eles (O Partido Pirata até já satirizou a #CPICIBER através de um vídeo) – não é permitida pela lei, consistindo em violação ao direito autoral, o que é abrangido pelo PL em questão. A utilização pode ter finalidade lucrativa ou não, o autor da obra derivada pode ser profissional ou amador - não importa, não pode! É possível que esse tipo de utilização bastasse para justificar o bloqueio de determinado provedor de aplicação.

Plataformas que viabilizam o compartilhamento desse tipo de conteúdo em massa e que poderiam eventualmente ser bloqueadas pelo PL são: o Vimeo (plataforma de vídeos); O YouTube (plataforma de vídeo); o SoundCloud (plataforma de músicas); o Flickr (plataforma de fotografia); o MemeGenerator (site que facilita a elaboração de memes) e até mesmo sites dedicados ao compartilhamento de FanFiction –outro tipo de manifestação cultural que é considerada ilegal pela Lei de Direitos Autorais. Nesse sentido, o bloqueio proposto pelo PL 5.204/16 é problemático sob quatro óticas distintas: para os provedores de aplicação, para os autores dos conteúdos, para os usuários e para o interesse público como um todo.

Para os provedores de aplicação, a medida é desproporcional, pois enseja no bloqueio de todos os seus serviços no país, independente de parte dele estar dentro da legalidade ou não. Por exemplo, o SoundCloud, caso bloqueado, o será por completo, apesar de servir também como plataforma para o compartilhamento de obras de forma legal. Já o YouTube poderá ser censurado por disponibilizar vídeos de paródias de músicas, trailers feito por usuários, etc.

Para os autores, o grande problema é a insegurança jurídica gerada pela medida. Como muitas das utilizações não são permitidas pela lei atual, não é possível saber até que ponto elas serão usadas para bloquear o acesso a suas obras. No mais, criadores de conteúdo que produzem obras completamente permitidas pela lei e disponibilizam-nas nessas plataformas serão penalizados por causa daqueles que compartilham obras de forma ilegal. Já para os usuários, a medida é problemática por prejudicar o livre acesso à internet e o acesso às demais obras (legais) hospedadas nessas plataformas –elementos essenciais do direito constitucional de acesso à cultura.

E, por último, para o interesse público, o PL é potencialmente ainda mais perigoso, já que o bloqueio a determinados serviços, com a justificativa de violação ao direito autoral, pode ser utilizado para cercear a liberdade de expressão. O exemplo dos vídeos que utilizam trechos de filmes para criticá-los é ilustrativo, mas grandes produtoras cinematográficas poderão solicitar o bloqueio de sites que hospedem esse tipo de vídeo com o argumento de que seus direitos autorais foram violados.

Este projeto de lei, portanto, se caracteriza como uma medida de combate direto à cultura de compartilhamento, já difundida na nossa geração. O objetivo explicitado no anexo fica em segundo plano, deixando margem para interpretá-lo apenas como um pretexto. Sendo assim, pode-se dizer que não é exagero especular que se trata de uma manobra movida pelo lobby da indústria audiovisual para esconder uma medida conhecidamente impopular.

Assine a petição, entre em contato com seu deputado: lute por uma Internet Livre e contra projetos de censura!

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