A Catalunha vota entre a tensão, a festa e a repressão

por Raphael Tsavkko Garcia

Milhares de pessoas passaram a noite ocupando colégios para que o referendo pudesse ser realizado. Indivíduos ligados ou não a partidos guardaram em suas casas urnas e cédulas eleitorais. Os catalães tem dado um exemplo democrático e de auto organização sem precedentes.

Muitos outros milhares foram até colégios a partir das 5 da manhã de hoje para garantir que permanecessem abertos. Os Mossos, a polícia catalã, se recusou a recorrer à violência, acompanhando a votação sem intervir na maioria dos locais de votação. Há casos de Mossos chorando de emoção diante da população, querendo votar e participar, não reprimir ou impedir esse momento histórico.

Mas nem tudo é festa.

Em diversos colégios por toda Catalunha a Guarda Civil espanhola e a Polícia Nacional agrediram eleitores, mulheres, idosas, jovens. Quebraram vidraças e portões de colégios e viraram motivo de repúdio mundial. Líderes como o primeiro ministro da Bélgica ou o líder da oposição britânica Jeremy Corbyn repudiaram a violência de forças policiais de ocupação diante de uma população pacífica cuja única resistência foi a de sentar-se em frente aos locais de votação e armar muros humanos. Sem levantar um dedo.

As imagens da vergonha espanhola circularam o mundo enquanto a vice-presidente Soraya Santamaría discursava em uma realidade paralela em que o referendo não acontecia ou que os antidemocráticos eram os milhares de catalães buscando decidir seu futuro – não os criminosos encapuzados enviados por lideranças fascistas saudosas de Franco.

Na maioria dos colégios, porém, imperou (e impera até o momento) a paz e a tranquilidade. Sim, a Catalunha está votando. Em peso.

Desde as 5 da manhã acompanho o processo no norte de Barcelona, em Nou Barris, bairro operário junto com o amigo e morador de Barcelona, Felipe Figols e sua namorada, catalã. A escola, El Turó, abriu sem problemas, e pese problemas com a internet, a votação segue até o momento sem grandes percalços.

Na realidade, pese a tensão e o temor de que algo pode acontecer a qualquer momento, o clima é de festa, contida, mas de alegria. Muitos idosos votam no local, alguns foram carregados para votar – enquanto eram aplaudidos por pessoas emocionadas, muitas chorando.

Uma das primeiras pessoas a votar, uma senhora e seu marido, chorou de emoção por poder votar. Há um misto de emoções em Barcelona, e de antecipação.

Existe o temor de que a polícia espanhola possa ampliar a violência quando todos os votos tenham sido depositados e a apuração comece, assim como o temor do dia seguinte e de uma possível declaração de independência que parece cada vez mais provável – na realidade, a única possibilidade diante de um Estado que usa táticas fascistas e agride a população sem dó ou piedade.

E não estamos falando só do PP, o PSOE é cúmplice. O problema não é apenas de direita ou esquerda (que age como direita), mas de Estado, mas de Espanha, de Reino, enfim, de um encaixe forçado e mal feito que começa a ruir.

A apuração dos votos irá começar as 20:30 horário local (15:30 em Brasília) e não sabemos o que esperar. Que o mundo observe com atenção e que as demonstrações de solidariedade continuem chegando.

A Catalunha não está só. A defesa da democracia está em jogo.


PIRATAS ACOMPANHAM E PARTICIPAM DE REFERENDO

por Guanyin

Durante a semana o site do referendo havia sido bloqueado pela Guarda Espanhola. O Partido Pirata Catalão contornou tal censura disponibilizando um espelho com as informações relacionadas ao referendo.

 

 

 

 

 

 

Coordenador do Partido Pirata Catalão foi convocado para depor por suposto crime de desobediência. Piratas de toda Espanha e do mundo estão acompanhando de perto o desenrolar do referendo.

O uso de VPNs, mensageiros criptográficos e redes mash foi divulgado e promulgado por piratas e ativistas para garantir o direito de expressão.

Amelia, pirata da Suécia, esteve com os Piratas da Catalunha e participou de uma discussão.

Birgitta, pirata da Islândia, esteve acompanhando a votação e também a apuração.

Piratas da Venezuela e Argentina também estão acompanhando in loco todos os desdobramentos do referendo.

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