“A carta ainda é o melhor modelo para explicar por que o Copyright deve ser reduzido” por Rick Falkvinge

Tradução do artigo de opinião do Rick Falkvinge:
“The Letter” Is Still The Best Story To Explain Why Copyright Monopoly Must Be Reduced
“A carta ainda é o melhor modelo para explicar por que o Copyright deve ser reduzido” por Rick Falkvinge 
As pessoas ainda se distraem pela tola questão de “como alguém será remunerado” se o monopólio do copyright for reduzido. É irrelevante, uma cortina de fumaça. O debate é sobre trazer liberdades civis do ambiente analógico para o ambiente digital – e isso requer o compartilhamento livre de arquivos.
Conforme eu viajo e converso com pessoas de todas as profissões e caminhos de vida sobre o monopólio do copyright, “a carta” é ainda o melhor exemplo que faz cair a ficha sobre por que o monopólio do copyright deve ser reduzido. É de longe o ponto de vista que faz a mensagem chegar na maioria das pessoas.
“Como os artistas vão ganhar dinheiro” é basicamente apenas uma distração do real e importante problema em mãos, e esse exemplo ajuda a levar as pessoas a esse problema.
O exemplo da carta lida simplesmente com como grandes e vitais liberdades civis têm sido sacrificadas na transição do analógico para o digital sob uma vil insistência da indústria do copyright em nome de seus interesses. A carta analógica era uma mensagem enviada da maneira que nossos pais enviavam: escrita numa folha física de papel, colocada num envelope, postada com um selo à moda antiga através de uma caixa de correios para uma entrega física no destinatário pretendido.
Aquela carta possuía quatro importantes características, cada uma incorporando liberdades civis vitais.
A carta, primeiramente, era anônima. Todos possuiam o direito de enviar uma mensagem anônima para alguém. Você poderia indentificar-se no interior da mensagem, para que apenas o destinatário soubesse; no envelope, para que o serviço postal soubesse; ou em nenhuma parte. Ou você poderia inventar um nome, uma organização, e endereçar como remetente da mensagem, e estaria tudo bem também. Não só tudo bem, mas era até bem comum.
Em segundo lugar, a carta era transitada em sigilo. Quando falamos sobre cartas sendo abertas e inspecionadas rotineiramente, os pensamentos vão para uma cena da Stasi da Alemanha Oriental – o Ministerium für Staatssicherheit, ou Agência de Segurança da Alemanha Oriental (sim, é assim que se traduziria o nome da Stasi). Cartas sendo abertas e inspecionadas? Sério? Você tinha que ser o principal suspeito de um crime extremamente grave pra isso acontecer.
Terceiro, o carteiro nunca, jamais, teria a responsabilidade pelo conteúdo das cartas que carregava. Essa idéia seria ridícula. Eles não tinham permissão de ver a mensagem em primeiro lugar, portanto, seria impensável que eles pudessem ser responsabilizados pelo que entregassem durante seu serviço.
Em quarto, cartas eram irrastreáveis. Ninguém tinha os meios – nem ao menos a capacidade – de mapear quem se comunicava com quem.
Todas essas características, as quais incorporam liberdades civis vitais, se perderam na transição para o meio digital graças à insistência da indústria do copyright – para que eles, como terceiros, pudessem prevenir as pessoas de enviarem cartas com um conteúdo que eles não gostariam de ver sendo enviado, por razões de seus próprios negócios.
A questão de “como alguém vai ganhar dinheiro” é completamente irrelevante. O trabalho de qualquer empreendedor é fazer dinheiro dadas as limitações correntes da sociedade e da tecnologia. Nenhuma indústria pode desmatelar liberdades civis com a péssima desculpa de que de outra forma não ganhariam dinheiro. 
Eles tem a simples escolha de fazer alguma outra coisa ou fechar o negócio. E ainda assim, é exatamente isso que temos permitido fazer a indústria do copyright: desmantelamento das liberdades civis. O desmantelamento do próprio conceito de carta privada. E eles continuam fazendo isso usando palavras belas, porém enganosas.
Quando eu explico essa situação assim, a ficha acaba caindo para uma boa quantidade de pessoas e elas param de fazer a aprendida, mas boba, pergunta sobre como alguém será pago se nós mantivermos o direito que sempre tivemos – o de enviar qualquer coisa para qualquer um anonimamente.
Esse é o Direito Equivalente ao Analógico. Poder enviar qualquer coisa para qualquer um anonimamente. E é isso que devemos levar para o ambiente digital, mesmo que uma indústria obsoleta não goste porque isso pode ou não prejudicar seus interesses. Isso é completamente irrelevante.
Tente contar essa história e veja a ficha cair praticamente toda vez que fizer isso. É impressionante.

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